Trabalho premiado
reflete sobre a mulher negra no Brasil
[22/05/2012]
Dedicada ao Ano Internacional
dos Povos Afro-descendentes, a segunda edição do Prêmio Nacional de
Expressões Culturais Afro-brasileiras acaba de distinguir o projeto Afro
retratos, de Renata Felinto,
doutoranda do Instituto de Artes (IA) da
Unesp, Câmpus de São Paulo. Ela venceu como o melhor
trabalho apresentado por artistas da região Sudeste.
De acordo com Renata, o trabalho utiliza o auto-retrato
como forma de auto-conhecimento e de fortalecimento da figura negra
pensada nas grandes cidades. Apresentei 12 pinturas em tinta acrílica
sobre papel, todas desenvolvidas a partir de auto-retratos nos quais a
constituição física e o fenótipo feminino de afro-descendentes são
adotados como mote para refletir sobre quem é a mulher negra brasileira,
hoje, diz a artista.
O resultado, segundo ela, aponta para um caldeirão de
etnias, diverso daquele em que predominavam o candomblé e a capoeira, por
exemplo. Já não é mais possível ignorar outras influências, sejam elas
americanas ou européias.
Fascinada pelo tema desde a graduação, também concluída no
IA, Renata, de 34 anos, dedicou seu mestrado em Artes Visuais, Herança
africana na arte, à análise da obra de três artistas brasileiros: Rosana
Paulino, de São Paulo, Eustáquio Neves, de Minas Gerais, e Edson Barros,
do Rio de Janeiro. Cada um a seu modo, esses três criadores levantam
questões seculares para, em seguida, investigar o que, de fato, permanece
como verdade num mundo globalizado.
Africanofagias paulistas
Ao longo do doutorado, Renata vem estudando o termo
afro-brasileiro quando aplicado às artes. Críticos e historiadores têm
usado essa expressão a partir de sua raiz sociológica, sobrepondo a origem
do artista, a cor da sua pele, à criação propriamente dita, ela explica.
Mas ninguém chama, por exemplo, Portinari de pintor ítalo-brasileiro, e
sim de modernista. E Tomie Ohtake é abstracionista, não
nipo-brasileira.
Com passagens pela Pinacoteca do Estado, onde foi
responsável pela mostra Africanofagias paulistas, em 2011, e também
tendo trabalhado no Instituto Cultural Itaú e no Museu Afro Brasil, onde
se dedicou à arte-educação durante seis anos, Renata pretende perseverar
nessa trilha de desmistificação da mulher negra.
Entre os auto-retratos, há rostos com traços japoneses,
vikings ou quéchuas, diz. No meio caminho entre a tendência à eugenia,
ao embranquecimento da raça negra, e a manutenção de estereótipos, vale
a pena tentar ver as coisas como elas de fato são.
O prêmio outorgado a Renata, de R$ 30 mil, será destinado
à produção de uma exposição, que deve ser aberta até, no máximo, o dia 30
de agosto de 2012, em local a ser definido.
Além das 12 obras, a mostra será acompanhada por três
atividades: a oficina A presença da mulher negra e afro-descendente como
protagonista da cena artística contemporânea; a exibição de um
documentário sobre dança, realizado pela bailaria da Unicamp Luciane
Ramos; e performances da atriz Maria Gal, da USP.
Paulo Velloso
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Paulo Velloso
pvelloso@reitoria.unesp.br
Assessor de Imprensa
Unesp - Câmpus de São Paulo
Rua Dr. Bento Teobaldo Ferraz, 271
Bloco 2 - Barra Funda
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